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DUAS CARREIRAS: TRADUTOR E PROFESSOR

Meu nome é Lucas, sou tradutor há pelo menos 10 anos, sou graduado em Letras e formado em um curso específico de Tradução. Mas consigo dizer com certeza que este é um mercado de constante atualização. Os tradutores humanos competem com as máquinas há muito tempo, porém, hoje já é impossível imaginar o trabalho de um tradutor sem nenhum dispositivo eletrônico. Eu já tive a oportunidade de trabalhar com todas as modalidades de tradução. A minha experiência profissional mais marcante aconteceu em um evento corporativo em 2018 no qual fui convidado para trabalhar como intérprete em traduções simultâneas. Trabalhei por 16 horas durante dois dias, mas aquilo tudo me pareceu uma eternidade. Desde então, comecei a ver todos os serviços de tradução com outros olhos, e passei a refinar cada vez mais os meus protocolos de trabalho. A maior parte da minha experiência foi adquirida trabalhando com traduções acadêmicas da área da saúde, mas não me sinto intimidado com desafios novos. Acredito que o futuro do tradutor e de muitos outros profissionais é a sinergia com as tecnologias, e não a competição. O fator humano é sempre imprescindível em todo projeto de excelência. 

Também sou professor, e durante minha carreira lecionando tive a oportunidade de conhecer várias esferas do setor educacional. Já tive a oportunidade de lecionar para todas as idades, no ensino fundamental e em várias escolas de idiomas. Fui professor por cerca de 7 anos, e durante este tempo tive contato com todos os tipos de materiais pedagógicos, planos de estudo, metodologias e abordagens. Resumidamente, não acredito em metodologias de ensino. A metodologia é algo fechado e seguido com a crença de ser replicável. As pessoas são orgânicas. Acredito que somente abordagens, como a abordagem comunicativa no ensino de línguas, sejam processos reais, autênticos, e intrínsecos da experiência humana. Não suporto mais o e-charlatanismo na venda de aulas de inglês que prometem o universo em prazos impossíveis usando jargões carregados do "curso da metodologia da fluência da conversação mega blaster", e jamais entregam resultados concretos, depreciando o contexto de ensino de inglês e prejudicando os profissionais sérios da área. Além de tudo, acredito que a eduação passa por uma crise grave no Brasil e é impossível não notar esta crise. Aprender uma língua é um processo para a perpetuidade. O ensino é, fundamentalmente, um investimento de longo prazo.

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